O papel das carreiras no mundo dominado pela Inteligência Artificial

Ao falarmos sobre o processo de automação e a evolução da Inteligência Artificial (IA), sempre pensamos que os serviços básicos de limpeza e transporte serão os primeiros a serem afetados. Imaginamos um mundo em que drones e carros autônomos viajam por ai realizando entregas e transportando passageiros. Mas ao meu ver, as primeiras carreiras mais afetadas serão aquelas que demandam do uso do pensamento analítico puro, com a resolução de casos baseados em problemas já preestabelecidos.

Para deixar mais claro isso, pergunto, quem é que nunca gastou um tempo enorme na fila de espera de um pronto socorro? Em seguida o médico te atende, talvez em pouco mais de cinco minutos e no final ele te diz que o que você tem é virose?

Imagine agora que exista um sistema capaz de reconhecer sua fala, que ao mesmo tempo é capaz de medir sua temperatura e pressão arterial. Também que esse sistema ao mesmo tempo é capaz de medir níveis de hormônio e outras substâncias apenas pela análise do cheiro e suor que exalam da sua pele. Um sistema capaz de cruzar esses dados com seu histórico médico regresso e o histórico de bilhões de pessoas no mundo. Avaliando os mais diversos casos e sintomas, conhecendo as incidências de doenças na sua região de acordo com a época do ano. Imagine que tudo isso é feito em tempo real, combinando análise de grande volumes de dados, o chamado Big Data, juntamente com uma IA capaz de levantar e cruzar todos esses dados.

Ao final do diagnóstico, o sistema envia para o seu smartphone todas as informações do problema de saúde mais provável que você esteja enfrentando, juntamente com a receita dos medicamentos. Além disso, esse sistema ficaria integrado com uma base de dados da previdência e farmácias. Com isso, poderia ser validado a sua receita e você só poderia comprar remédios de acordo com a prescrição.

Ai fica a questão, qual o papel do médico tradicional nesse cenário? E mais, quando é que esse tipo de serviço irá existir?

A primeira questão ainda é difícil de responder. Não é trivial pensar no papel do médico do futuro, pois isso envolve como essa classe irá reagir a essa evolução. Também em como se dará o processo de normalização e criação de leis para regulamentar esse tipo de serviço. Uma aposta minha é que provavelmente não teremos médicos IA residenciais. Se tivermos, provavelmente irão colocar o valor mensal dessa IA bem alto, principalmente no início, com taxas de impostos elevadas, muito mais para preservar e assegurar a classe médica existente do que outra coisa. Já para a questão de quando isso virá, basta pensarmos no caso dos escritórios de advocacia que já estão substituindo advogados por IA (veja mais sobre isso aqui).

O avanço do uso de placas gráficas, as chamadas GPU’s (Graphics Processing Unit – Unidade gráfica de processamento), para o processamento de IA cresceu muito. Também temos ao nosso alcance as ferramentas de Big Data como o Hadoop e o Spark, além é claro das tecnologias já preparadas em nuvens como o Watson da IBM, as ferramentas do Google Cloud, AWS e Microsoft Azure. Com o que temos disponível hoje, já é possível criar uma IA médica ambulatorial. Essa IA será capaz de ter uma taxa de acertos muito maior, sobre o diagnóstico do paciente, do que um médico tradicional humano é capaz de fazer.

Pensando na interação com o mundo real, vemos que ainda existem certas dificuldades técnicas que precisam ser resolvidas. No caso de uma IA puramente analítica, o poder computacional poderá ser aumentado sem grandes dificuldades, bastando para isso colocar vários computadores operando juntos, como se fossem uma única unidade. Em geral é assim que funcionam os super computadores atuais, faz-se uma aglomerado (cluster em inglês) de máquinas que operam juntos.

Mas se paramos para analisar o caso de um carro autônomo, ou um robô humanoide, enfrentamos o fato de que não dá para mantermos os mesmos conectados em rede o tempo todo. E mais, não podemos ter atrasos nas repostas que a máquina deve dar para uma situação que esteja ocorrendo em tempo real. Nesse caso, começamos a ter limitantes físicos. Assim, para termos um mundo de máquinas autônomas verdadeiramente inteligentes ainda temos que superar a barreira de se ter um supercomputador em uma escala bem menor. Nesse caso, novamente, começamos a ver o papel das GPU’s e sua aplicação em veículos autônomos, com dado pela parceria entre a Tesla e a Nvidia.

Ao final, as mais diversas profissões serão afetadas pelo avanço da inteligência artificial, não somente as profissões tidas como básicas e supostamente mais fáceis de serem automatizadas. E aqui vale ressaltar que essa não é mais uma realidade remota e sim uma revolução que está ocorrendo agora.

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